Mais uma vez eu aqui, dentro do avião, e me bate a vontade de escrever. Que tédio!
Porque será que existem esses ciclos repetitivos, e por que será tão difícil quebrá-los ou pelo menos deixar de alimentá-los?
Hoje me pego, me pego mesmo, como um grande detetive que achou seu culpado, a fazer de novo as mesmas coisas, mesmas promessas, mesmo desânimo e re-ânimo passados.
Com ritalina, ou sem ritalina, a vontade é de se entregar. Entregar a inércia, a posição de vítima, de pessoa complicada, de histérica, de sofredora, de angustiada.
Hoje estou bem, e já percebi que assim como chega a sexta-feira, chega também o meu ânimo, a minha vontade!
Hoje não é sexta, é véspera de sexta, e sexta, amanhã, é feriado. Então hoje é sexta, é sexta para os meus sentimentos, para o meu desânimo, para o meu cansaço.
Estou pensando agora, talvez sexta, seja o dia do descanso para a minha vida tediosa, para a personagem que assumi para a semana.
Acho que é isso mesmo, porque durante a semana sou uma, e no final de semana outra !!! Tiro o personagem, boto no armário, e vou ser feliz, pelo menos vou me aproximar do que acho que é ser feliz!
"Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase 'se eu fosse eu', que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor SENTIR. 'Se eu fosse eu' parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. " Autora: Clarice Lispector
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